A dona da casa

Culturalmente viemos de um cenário onde o papel da figura feminina era basicamente resumida em cuidar dos afazeres domésticos e dos filhos, ou seja, sua função era exclusivamente “dona de casa.”

Durante muito tempo o homem foi referência no quesito independência e autonomia, ele mesmo era responsável por trabalhar, adquirir um imóvel e sustentar sua família, enquanto as mulheres exerciam o único papel de dependentes e zeladoras do lar.

Porém, com o crescimento dos direitos femininos e sua inserção no mercado de trabalho, o que proporcionou a conquista da independência financeira, esse cenário vem ganhando com grande força uma nova visão. 


O empoderamento feminino e as possibilidades de conquista

O empoderamento feminino trouxe a chance de mulheres machucadas se libertarem de casamentos frustrados e malsucedidos, simplesmente por entenderem que não dependem de uma presença masculina para sustentar o sonho de uma casa, ou de um lar, configurando uma nova geração de mulheres “chefes de família”.

Atualmente temos as mulheres como grande público das aquisições imobiliárias, que lutam pela compra da casa própria, em conjunto com seus parceiros ou de forma individual, sem nenhum impedimento para isso. Além da participação financeira, são autênticas, exigentes e opinantes em cada detalhe do imóvel.

Essa mudança também proporcionou o direito de muitas jovens programarem sua saída do seio familiar para construírem autonomia sobre suas vidas, e sozinhas seguirem felizes e realizadas

Na clínica, esse despertar de “sair de casa e morar sozinha” é um desejo de várias mulheres, antes mesmo de iniciar o ciclo de vida adulta, pois muitas apresentam essa demanda por volta dos 17/18 anos de idade. Mas, geralmente é na fase dos 30 a 45 anos que essa luta feminina pela conquista de um imóvel se torna mais evidente e possível de se realizar, por se tratar de um período de maior maturidade e estabilidade financeira.

Ser independente, profissional, administrar casa e filhos é uma missão fácil?

Com certeza não é, mas é muito possível, e essa flexibilidade é uma característica do público feminino. Mulheres são fortes, determinadas, e com tremenda capacidade de equilibrar várias funções ao mesmo tempo. Isso faz com que elas assumam maiores responsabilidades nos cuidados com a casa e com os filhos, conciliando com o desempenho de grandes cargos externos em suas jornadas profissionais.

Acontece que em alguns casos, essa sobrecarga de atribuições configura uma desigualdade de responsabilidades e, consequentemente, uma convivência conflituosa que contribui para o crescimento de relacionamentos disfuncionais. Essa sintomática configura  justificativa para grandes demandas atuais de Terapia de Casal, onde casais buscam ajuda para resolução de tais conflitos e melhor organização dos papéis de cada um na “vida a dois.”

Atualmente, em Terapia, mulheres buscam autoconhecimento visando o alcance de  inteligência emocional ao ponto de permitir que os homens tenham  intimidade com a paternidade, e com as atribuições domésticas. Assim, se doam, mas, sabem exatamente quando precisam pedir ajuda, não tomando para si sobrecargas que abalam sua figura feminina. Além disso, contribuem na construção de relações saudáveis, baseadas em equilíbrio, reciprocidade, igualdade e companheirismo com seus parceiros.

Mulheres que priorizam exclusivamente o lar

Não podemos deixar de mencionar as mulheres que abriram mão de uma carreira profissional e dedicam seu tempo exclusivamente ao lar. E essa decisão é uma escolha muito sábia, pois a presença materna na vida dos filhos é importantíssima para a construção de identidade, valores e princípios, além do aspecto protetor e afetuoso que essa convivência proporciona.

O papel de cuidar da casa e dos filhos exige tanto esforço quanto de um trabalho externo, considerando a responsabilidade e flexibilidade que a mulher se habilita a ter, além das renúncias pessoais que a mesma se dispõe a fazer.

Porém, esse papel ainda é visto com um aspecto negativo, muitas vezes até mesmo pelas próprias mulheres que fazem parte desse perfil. Muitas não conseguem enxergar como atuação importante, se sentem desvalorizadas, sem nenhum reconhecimento de seu esforço, e com referência exaustiva de seu próprio lar.

Essa associação negativa contribui para o adoecimento mental, pois, atualmente no contexto clínico temos um grande número de mulheres acometidas por transtornos psicológicos como Depressão e Ansiedade. Esse adoecimento diz de uma exaustão mental diante de muitos esforços, além do sentimento de culpa por não se sentir útil, tornando o ambiente que deveria proporcionar sensação de acolhimento e bem estar como um ambiente totalmente tóxico e causador de angústia e estresse.


Com toda essa temática envolvendo o papel que a mulher representa nesse contexto, podemos destacar que é uma figura de grande impacto social. A capacidade de avançar e conseguir destaque no mundo corporativo, sendo ativa nos processos de conquistas, protetora e provedora do lar faz da figura feminina um “ser incomparável”.

Considerando toda essa evolução feminina, o termo  “dona de casa” se torna pequeno demais para tantas virtudes.

Casa é materialmente uma construção de tijolos e cimento, e é uma das coisas que financeiramente a mulher pode adquirir. Mas, o que configura a transformação dessa “casa” em algo muito mais grandioso, são as experiências vividas nela, as memórias afetivas construídas em pequenos gestos, e a representação de principal influência e referência na vida dos filhos.

Lar é lugar de entrega, é o ambiente que proporciona colo e aconchego, é o ninho acolhedor onde sempre temos pressa para chegar. Tantos encontros acontecem dentro de um lar, e quantas declarações de amor disfarçadas em demonstrações de zelo, proteção, carinho e afeto.

Isso só é possível com o estado de doação que a mulher disponibiliza aos outros, o que deve ser visto como uma virtude incomparável e com grande responsabilidade social, pois não se trata apenas da dona de casa, mas de um ser extraordinário dona de muitas coisas, princípios, posições, atitudes e lugares. Se trata da Dona de si, se trata da Dona da Casa.



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